Correios podem ganhar sócios privados

Em busca de alternativas para dar sustentabilidade à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que acumula dois anos seguidos de rombo na casa dos R$ 2 bilhões, o governo estuda a possibilidade de segregar atividades rentáveis da estatal em pelo menos três subsidiárias independentes e encontrar parceiros privados para as novas companhias.
Paralelamente, a diretoria da estatal trabalha na criação de minifranquias postais em pequenas cidades do interior, onde a rede própria de agências é deficitária.

Ainda embrionário, o plano prevê a vinculação das futuras subsidiárias à CorreiosPar, que foi criada pela ex-presidente Dilma Rousseff como empresa de participações. A ideia é defendida pelo secretário de coordenação e governança das estatais (Sest) no Ministério do Planejamento, Fernando Ribeiro Soares, com o objetivo de maximizar receitas em áreas lucrativas da ECT.

Soares, que também integra o conselho de administração dos Correios, cita três setores nos quais a estatal consegue extrair resultados positivos e tem um bom potencial para explorar: logística, encomendas expressas e serviços financeiros. Essas áreas podem transformar-se em unidades independentes e ficar com até 49% de participação privada, mantendo o controle da União e gerando mais receitas para bancar as obrigações deficitárias da estatal, como os serviços postais.

“Já estamos tomando uma série de medidas para enxugar a empresa e fazê-la respirar novamente”, afirma o secretário, mencionando o recém-finalizado programa de demissões voluntárias e o enxugamento de cargos comissionados. Outra iniciativa que está sendo implementada é a otimização geográfica das agências, com o fechamento de unidades muito perto umas das outras.

O plano é elogiado pelo presidente dos Correios, Guilherme Campos, mas visto como uma etapa posterior a medidas adicionais de recuperação que ainda precisam ser colocadas em prática. Antes das novas subsidiárias, ele sugere uma revisão da Lei Postal, que é de 1978. “Hoje a empresa não consegue fazer um movimento como esse”, observa o executivo, que vê dificuldades na atração de sócios privados com os problemas atuais.

“Para isso, precisamos estar em pé e caminhando com certa vitalidade.” Campos defende a continuidade do monopólio postal garantido por lei aos Correios, mas aponta a necessidade de flexibilização das obrigações atuais. Para ele, não é o caso de abrir mão da presença em 5.570 municípios, mas convém discutir, por exemplo, a periodicidade exigida na legislação para entrega de correspondência e encomendas.

Hoje a distribuição em dias alternados – em vez de diária – só pode ser feita em cidades menores. Sindicatos mantêm postura rigorosamente contrária, alegando que isso sobrecarrega os carteiros e abre as portas para um processo de precarização do trabalho. O presidente dos Correios acredita que as novas formas de comunicação tornou essa exigência ultrapassada. “Hoje não existe mais um movimento que justifique a presença do carteiro, todos os dias, em cada endereço. As pessoas querem saber qual é a periodicidade e ter certeza de que os prazos serão cumpridos”, afirma.

Cerca de dois terços das despesas da ECT são com pessoal. A empresa tem 117 mil empregados e 5,5 mil aderiram ao plano de demissões voluntárias aberto no início do ano. Ao explicar a estrutura de custos dos Correios, o presidente lembra que o mais difícil é a parte logística, fazer as correspondências e encomendas chegarem ao destino certo, mas o mais caro é manter as agências – são 6,5 mil unidades próprias em todo o país.

A ideia de Campos é trocar parte da rede própria, especialmente em pequenos municípios, por uma nova figura: a dos microempreendedores postais. Eles atuariam como “minifranquias” dos Correios. Hoje as mil agências franqueadas da ECT estão localizadas nos grandes centros urbanos. A figura das minifranquias permitiria à estatal trocar uma estrutura pesada de custos por outra, mais enxuta, em que despesas trabalhistas e de manutenção são dos seus parceiros.

Um grupo de trabalho formado por técnicos dos Correios, do Ministério das Comunicações, da Sest (Planejamento) e do Tesouro Nacional (Fazenda) deve entregar, nas próximas semanas, uma proposta completa de reestruturação e de revisão da Lei Postal.

A consultoria Accenture, que já trabalhou na reformulação dos serviços postais em outros países – como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Polônia – foi contratada no fim do ano passado para auxiliar no processo.
Campos acha viável, com medidas de recuperação, sanear as contas da ECT. “A nossa situação é extremamente delicada. Ainda estamos na UTI, mas finalmente respirando sem aparelhos.” 

Fonte: Valor Econômico e CorreiosdoBrasilFuncionarios.blogspot

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