Aviões de luxo da NetJets voam mais apesar da crise

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Oito meses depois de ter despedido 100 colaboradores em Portugal, a NetJets admite que o pior da crise financeira parece estar a passar e que o volume de negócios, neste caso traduzido em horas voadas, está a recuperar.

“No primeiro trimestre tivemos um aumento das horas de voo e vemos uma recuperação do negócio”, avança ao Diário Económico o director europeu da NetJets, Mats Leander, sem se adiantar sobre as contas da empresa.

No entanto, os números divulgados pelo Berkshire Hathaway, grupo empresarial do magnata norte-americano Warren Buffett, que controla a NetJets, referem um aumento da facturação na ordem dos 18% no primeiro trimestre de 2010. Crescimento que a empresa justifica com uma subida de 7% nas receitas de horas voadas e de taxas de combustível mais elevadas. Já o resultado antes de impostos, entre Janeiro e Março, chegou aos 57 milhões de dólares, comparando com o prejuízo de 96 milhões em igual período do ano passado. Os resultados das NetJets beneficiaram ainda de um resultado extraordinário de 50 milhões de dólares (ou 39,7 milhões de euros) relacionado com a avaliação dos aviões.

Com cerca de 600 clientes em todo o mundo, dos quais 20 em Portugal, a NetJets espera vir a reforçar a sua posição no mercado nacional, onde continua a ter uma base operacional. “O mercado português está a crescer de uma forma consistente. Neste momento temos cerca de 20 clientes e esperamos que este valor cresça à medida que reforçamos o nosso empenho e a actividade de vendas na região”, diz fonte oficial da empresa.

A NetJets tem uma frota de 800 aviões distribuídos pela Europa e Estados Unidos, mas assegura que o modelo de negócios da aviação partilhada permite aos clientes ter um avião em qualquer ponto do globo a qualquer altura, sem pagar os custos de relocalização.

O sueco Mats Leander reuniu-se esta semana com um conjunto de jornalistas em Londres para demonstrar as vantagens da aviação fraccionada, o ‘core’ da NetJets. Segundo este modelo, cada cliente compra uma parte do avião – pode ir de metade a 1/16 do aparelho – e tem depois direito às correspondentes horas de voo. “Um avião pode voar 800 horas por ano, mas a utilização média não vai além das 150 horas. Depois de fazer um investimento de 20 ou 40 milhões de euros tenta-se justificar o investimento procurando alugar a outras pessoas, mas de repente deixa de ser dono de um avião para se transformar num prestador de serviços com todos os problemas que isso implica”, diz Mats Leander.

Bhanu Choudhrie, presidente da C&C Alpha Group e um dos clientes da NetJets, garante que “é muito mais caro que viajar na easyJet”, mas diz que “o custo de ter um avião é muito superior a ter um avião partilhado”, acrescentando às vantagens a flexibilidade oferecida por este modelo. “Não preciso de gastar 15 ou 20 milhões a comprar um avião, se comprar uma fracção posso ter três aviões disponíveis com todas as vantagens que daí advêm.”

Fonte: Diário Económico

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